Os Estados Unidos, logo após sua independência, já no iniciava sua expansão para o leste a partir das trezes colônias que refletia o espírito ou a missão, que naquela época era vista como divina, de conquistar e ampliar seus territórios. A colonização norte-americana foi uma das grandes responsáveis por esse sentimento quase divino de conquista. Formada basicamente por imigrantes religiosos, muitos deles desembarcaram aqui mitificando sua ocupação como uma cruzada religiosa em busca da libertação daqueles oprimidos pela ignorância e desconhecidos da racionalidade dos homens livres.
      Nasce mais tarde o Destino Manifesto, a expressão maior que resume todo esse compromisso com a missão divina de exemplificar ao mundo o poder dos homens racionais e livres norte-americanos. A expressão que no início pode ter sido de certa forma ingênua e religiosa em sua essência com o decorrer do tempo adere um aspecto muito maior de auto-legitimação de uma conquista muito mais material e ambiciosa. O Destino Manifesto se torna uma ideologia a qual o expansionismo norte-americano deveria ser ilimitado, uma missão que não acabava com o fim das conquistas das terras Norte-Americanas, mas de sua extensão por todo o planeta.
      A Doutrina Monroe, uma das mais célebres expressões da política externa norte-americana, surge exatamente como a extravagância desse sentimento para uma intenção mais concreta. Os episódios que se desenrolam n America Latina no final do século XIX e início do XX, principalmente no Caribe e na América Central, são concretizações reais dessas intenções, as quais já podemos chamar de imperialistas norte-americanas. As intervenções em Cuba e no Panamá, camufladas por um discurso libertador da influência européia na América, defende na sua realidade o desejo de exclusividade dos Estados Unidos sobre seus vizinhos continentais.

      Nesse período o Destino Manifesto, então norte-americano, ganha proporções mundiais com o nascimento do Imperialismo dentro das potências européias. A competição mundial por áreas de influência, passar a ganhar uma justificação similar a missão americana da expansão, mas com aspectos muito mais racionais. O que antes simbolizava uma missão divina, agora surge como uma missão civilizatória, o dever do homem ocidental em garantir a “barbárie” o usufruto da civilização e sua superioridade. Dentro desse cenário, a Doutrina Monroe desempenha um importante fator para demonstrar ao mundo em que contexto o agente civilizador da América se colocava, assim como sua indisposição para dividir sua importância com quem quer que fosse.
    Essa rápida contextualização histórica da evolução do imperialismo estadunidense termina em meados da década de 30 quando há um renascimento da cultura hispânica e um sentimento de aversão a cultura anglo-saxônica. Contudo, podemos notar sinais muito contemporâneos da utilização dessas justificativas tanto religiosas como racionais na política externa norte-americana. A invasão do Iraque para muitos americanos possuía a priori um espírito libertador e o dever de levar a democracia para aqueles países vítimas do autoritarismo no Oriente Médio. Justificativas muito parecidas com as utilizadas no início do século passado, quando os reais interesses americanos deveriam ser legitimados ou ao menos camuflados das verdadeiras intenções políticas e econômicas da crescente potência mundial.

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