Nessa quarta-feira, 29 de abril de 2009, o governo de Barack Obama completa 100 dias com certa comemoração e muitos contra tempos. Parece pouco, mas já foi o suficiente para dar uma boa dor de cabeça ao atual homem mais poderoso do mundo. Entre seus desafios: dar fim a uma guerra custosa e sem muito objetivo no Oriente Médio, enquanto seu mais novo inimigo, Irã, enriquece urânio para possível produção de armamentos nucleares. E se não bastasse, enfrenta uma série de acusações quanto as suas medidas para conter a atual crise mundial. Nesse aspecto realmente Obama deixa muito a desejar. Suas medidas, um tanto socialistas para alguns, de salvamento aos bancos e liberação de crédito podem parecer eficientes, ou não, a curto prazo, o que não dá garantia nenhuma de que a economia mundial volte a crescer. Contudo antes de solucionarmos problemas de tamanha magnitude, temos que entender suas causas.
O primórdio da crise está na chamada “bolha imobiliária” norte-americana, quando houve um número enorme de devoluções no setor imobiliário. Essas devoluções afetaram diretamente vários bancos, que viam um mercado próspero nesse setor e haviam investido pesadas quantias na construção de imóveis. O que ocorreu para suceder tantas devoluções em um setor que parecia tão próspero? A resposta está no padrão de consumo do estadunidense. Nos EUA, era perfeitamente comum jovens com uma renda de, por exemplo, 1500 dólares comprarem um imóvel e um carro em parcelas pequenas para os próximos 30 anos e os bancos proporcionavam essas prestações, mesmo sem nenhuma garantia de que essa pessoa teria seu emprego por todo esse tempo. Outra atividade comum entre os norte-americanos, absurda para nossos padrões, são os exageros cometidos quanto ao uso de cartões de crédito. A facilidade de obter um desses cartões junto aos baixos juros, possibilitava ao usuário cobrir um cartão através de um outro novo, e quando esse estourava mais um e assim por diante. Quando a recessão apareceu e os desempregos foram aumentando, o desempregado não possuia crédito para cobrir os custos de 3 a 4 cartões, que agora acumulavam juros, o que impossibilitava ainda mais quitar as prestações de bens duráveis; falido a única alternativa era devolver tudo aos banco. Esses sem crédito, e ainda com milhares de imóveis agora sem compradores, aos poucos foram dando sinal de falência. As quebras somadas com uma recessão mundial criaram uma imensa bola de neve até agora sem previsão de fim.
A incerteza do fim apenas agrava a crise, que até agora teve poucas medidas efetivas para contê-la. A política de salvamento dos bancos adotada por Obama, embora cause alguma irritação em alguns, é plausível e óbvia, uma vez que nenhum presidente do EUA consegue manter se no poder sem conquistar a simpatia do poderoso setor financeiro do país. No entanto, além de uma medida mais objetiva do governo norte-americano para conter os danos no sistema econômico mundial, parece que conter também o consumo exacerbado de seus cidadãos pode fazer efeito para vencer a crise ou ao menos evitar uma de mesmas proporções no futuro.
Por Chan
Edição Final – Aninha

